<T->
           A Escola  Nossa
           Histria -- 3a. srie
           Ensino Fundamental

           Rosemeire Aparecida 
           Alves Tavares
           Maria Eugnia Bellusci 
           Cavalcante

<F->
Impresso Braille em 2 partes na diagramao de 28 linhas por 34 caracteres, da 1a. edio So Paulo, 2006 da editora 
Scipione.
<F+>

           Primeira Parte

           Ministrio da Educao
           Instituto Benjamin Constant
           Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
           22290-240 Rio de Janeiro 
           RJ -- Brasil
           Tel.: (21) 3478-4400
           Fax: (21) 3478-4444
           E-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~, 
           ~,http:www.ibc.gov.br~,
           -- 2007 --
<p>
          Copyright (C) Rosemeire 
          Aparecida Alves Tavares e 
          Maria Eugnia Bellusci 
          Cavalcante
          Direitos desta edio cedidos  Editora Scipione Ltda.

          Edio: 
          Angelo Bellusci Cavalcante

          Assistncia editorial: 
          Marco Csar Pellegrini

          ISBN 85-262-5334-4
          
          Av. Otaviano Alves de Lima, 4.400 6 andar e andar intermedirio ala "B" Freguesia do 
          CEP 02909-900 -- 
          So Paulo -- SP
          Caixa Postal 007
          Divulgao 
          Tel.: (11) 3990-1788
<F->
~,www.scipione.com.br~,
e-mail: ~,scipione@scipione.~
  com.br~,
<F+>
<p>
                               I
<R+>
          Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)
          (Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Alves, Rosemeire
    Histria, 1a. srie, ensino fundamental / Rosemeire Alves, Maria Eugnia Bellusci. -- So Paulo: Scipione, 2003. -- (Coleo A escola 
   nossa)

     Histria (Ensino funda-
mental) I. Bellusci,
  Maria Eugnia. II. Ttulo. III. Srie.

03-5058          CDD-372`.89

ndices para catlogo sistem-
  tico:

 1. Histria Ensino fundamental 372`.89
<R->
<P>
ROSEMEIRE APARECIDA ALVES 
  TAVARES

  Licenciada em Letras pela 
 Universidade Estadual de Londrina -- UEL (PR)
  Ps-graduada em Lngua Portuguesa pela UEL (PR)

MARIA EUGNIA BELLUSCI 
  CAVALCANTE

  Licenciada em Histria pela UEL (PR)
<p>
                           III
 Por dentro de seu livro

  Ao estudar Histria, voc tem a oportunidade de conhecer um pouco mais de si mesmo, das pessoas com quem se relaciona e do mundo em que vive.
  Pensando nisso, elaboramos este livro. Ele foi produzido com o objetivo de contribuir para que voc adquira novos conhecimentos e se perceba como parte integrante do processo de construo da Histria.
  Esperamos que seu estudo seja o mais agradvel e proveitoso possvel.
  Seu livro de 3 srie  composto de seis unidades, que possuem os seguintes ttulos: Participando da histria, Indgenas e europeus: o encontro entre culturas, Africanos em nosso territrio, Do litoral para o interior, Com destinos  Amrica, Gente de diferentes lugares. Aps o desenvolvimento dessas unidades, tambm  apresentado um estudo sobre o processo de emigrao de brasileiros nas ltimas dcadas.
<R+>
 Nas pginas de abertura, voc encontrar textos, questionamentos e outras propostas de atividades que esto relacionadas ao tema principal da unidade.
 Os contedos de Histria so desenvolvidos de forma a despertar seu interesse. Para isso, em todo o livro, so utilizados diferentes tipos de textos.
 Os questionamentos que acompanham os textos procuram incentivar a anlise e a interpretao dos contedos apresentados e, tambm, a explorao de experincias relacionadas a seu cotidiano.
 Curiosidades e informaes complementares relacionadas a alguns dos contedos desenvolvidos na unidade so apresentadas na seo * bom saber*.
<P>
                               V
 Com as atividades da Seo registrando informaes, voc aprender representar informaes, por meio da montagem e tabelas e grficos, e a interpret-las corretamente.
 Nas sees *Atividades* e *Mais atividades*, so propostos exerccios variados e interessantes, que vo auxili-lo na compreenso dos contedos estudados e na elaborao de novos conceitos.
 Por meio da atividade de *Entrevista*, voc descobrir novas fontes de informao para enriquecer seu conhecimento.
 Em alguns momentos, voc vai debater idias, expressar seu ponto de vista e conhecer a opinio de seus colegas sobre assuntos polmicos relacionados a diversos temas.
 Em vrios momentos, voc exercitar sua criatividade e trabalhar em grupo com seus colegas.
<P>
 As informaes da seo *Passeando pela histria* foram elaboradas com o objetivo de apresentar diferentes aspectos relacionados ao modo de vida em diferentes pocas.
 Em O tema ..., voc encontrar informaes sobre a emigrao de brasileiros para diferentes pases, ocorrida nos ltimos anos.
 No *Glossrio*, so apresentadas as explicaes de algumas palavras e expresses que aparecem no livro indicadas por asterisco. Algumas dessas palavras e expresses so acompanhadas de imagens, a fim de facilitar sua compreenso.
<R->
  Essa  a maneira como seu livro est organizado. Esperamos que ele contribua para seu aprendizado e lhe proporcione uma melhor compreenso da realidade em que voc vive.

 *As autoras*
<P>
                            VII
Sumrio Geral

Primeira Parte

<R+>
<F->
Unidade 1

Participando da histria ::: 1
Refletindo sobre 
  histria :::::::::::::::::: 2
Conhecendo o passado ::::::: 6
Escrevendo a histria :::::: 8
Estudando os documentos 
  histricos :::::::::::::::: 10

Unidade 2

Indgenas e europeus:
  O encontro entre
  culturas :::::::::::::::::: 22
Povos indgenas no Brasil
  atual ::::::::::::::::::::: 24
Os donos desta terra ::::::: 32
Portugueses em terras 
  indgenas ::::::::::::::::: 42
Os portugueses chegaram para 
  ficar ::::::::::::::::::::: 54
<P>
Passeando pela histria
  A luta dos povos
  indgenas ::::::::::::::::: 63
A influncia indgena na 
  cultura brasileira :::::::: 65

Unidade 3

Africanos em nosso
  territrio :::::::::::::::: 71
Os descendentes de 
  africanos no Brasil 
  atual ::::::::::::::::::::: 72
Em busca de mo-de-obra :::: 73
A vida longe da frica :::: 77
Os africanos chegam para
  trabalhar ::::::::::::::::: 86
Passeando pela histria
  A luta dos africanos e de 
  seus descendentes ::::::::: 94
A influncia africana :::::: 98
<P>
                             IX
Segunda Parte

Unidade 4

Do litoral para o
  interior :::::::::::::::::: 105
Conhecendo o interior do
  territrio :::::::::::::::: 106
Em busca do ouro ::::::::::: 115
O trabalho nas minas ::::::: 119
Nas vilas e cidades da 
  poca do ouro ::::::::::::: 123
Passeando pela histria
  A procura pelo ouro :::::: 129
Das minas para os 
  cafezais :::::::::::::::::: 131
A luta pelo fim da 
  escravido :::::::::::::::: 133
Passeando pela histria
  O povoamento do 
  interior :::::::::::::::::: 137

Unidade 5

Com destino  Amrica ::::: 140
Diferentes origens ::::::::: 141
Imigrantes no Brasil :::::: 143
A vida nas fazendas de 
  caf :::::::::::::::::::::: 152
Os imigrantes nas 
  cidades ::::::::::::::::::: 156 
Passeando pela histria
  A imigrao para o 
  Brasil ::::::::::::::::::: 161
A imigrao para o Brasil 
  na atualidade ::::::::::::: 170
A herana dos imigrantes no 
  Brasil ::::::::::::::::::: 175

Unidade 6

Gente de diferentes
  lugares ::::::::::::::::::: 182
De um lugar para outro ::::: 183
Em busca de uma vida 
  melhor :::::::::::::::::::: 187
Passeando pela histria
  A migrao de 
  nordestinos ::::::::::::::: 193
Um vai-e-vem de gente :::::: 196
O tema ...
  A emigrao de
  brasileiros ::::::::::::::: 206
Brasileiros no exterior :::: 206
<P>
                            XI
Passeando pela histria
  A emigrao de brasileiros 
  em outras pocas :::::::::: 212
Glossrio :::::::::::::::::: 216
Sugestes de leitura ::::::: 222
<F+>
<R->
<P>
Nota de transcrio:
  Nesta obra, as palavras abaixo enumeradas tm estes sentidos:
  1 -- Ilustrao, imagem: figuras usadas para exemplificar ou reforar uma idia ou um texto.
  2 -- Legenda: texto explicativo de: foto, gravura ilustrao, quadro, etc.
  3 -- Lacuna: espao que dever ser preenchido de acordo com a indicao do exerccio.
<11>
<Thist. escola 3a.>
<T+1>
Unidade 1

Participando da histria

  [...] Tem estrias que a gente inventa e cria na cabea, fruto da imaginao [...]. Podem ser estrias engraadas, romnticas ou tristes [...].
  E tem histrias -- estas, sim, escritas com h -- que aconteceram de verdade e que fazem parte da gente, so a vida da gente. Acontecimentos que fizeram a gente saber sobre ns mesmos, ou fatos que fizeram a gente rir, ou chorar, ou s pensar. Mas so sempre fortes porque marcam a nossa personali-
 dade, nosso modo de ser e agir no mundo. [...]

<R+>
Daniel Munduruku. *Meu v Apolinrio*: um mergulho no rio da (minha) memria. So Paulo, Studio Nobel, 2001.
<P>
 Sobre quais tipos de histria esse texto est tratando?
 Alguma vez, voc j inventou uma histria? Caso sua resposta seja afirmativa, como ela era: engraada, triste, assusta-
  dora...?
 Procure lembrar-se de uma histria que tenha acontecido de verdade e conte-a para os colegas. Comente quais sentimentos essa histria provocou em voc: alegria, tristeza, desnimo, raiva etc.
 Que tipo de histria voc acha que vai estudar neste livro: real ou inventada?
<R->

<12>
Refletindo sobre histria

  A palavra histria  utilizada em nosso dia-a-dia com diferentes significados. Como vimos, ela pode se referir a acontecimentos que so inventados pelas pessoas.
  Esse tipo de histria  encontrado, por exemplo, em livros de literatura,
desenhos animados, histrias em quadrinhos, filmes, novelas de televiso, letras
de msica etc. Nesses casos, geralmente, as histrias so criadas com o objetivo
de distrair e divertir as pessoas.
  Observe o exemplo a seguir.

Bidu

<R+>
 _`[Histria em quadrinhos: Na porta de uma mercearia, um cartaz informa: "Proibida a entrada de ces!" Um menino, Franjinha, deixa seu co, Bidu, na entrada. Dentro da loja, Franjinha se surpreende ao encontrar, no balco, o dono da loja: um gato_`]

Mauricio de Sousa. *Mnica*. So Paulo, Globo, 2002.

 Quem  o autor dessa histria em quadrinhos?
<P>
 Na sua opinio, essa histria  real ou inventada? Por qu? Comente com os colegas.
<R->
<13>

  A palavra histria tambm  empregada para fazer referncia a acontecimentos reais, ocorridos em diferentes pocas e lugares.
  Por exemplo, os fatos ocorridos ao longo de sua vida formam sua histria de vida; os diversos acontecimentos que ocorrem no dia-a-dia de uma cidade ou pas fazem parte da histria desses lugares.
  A notcia a seguir fala de um acontecimento que entrou para a histria da humanidade. Leia-a.

  No dia 20 de julho de 1969, o astronauta Neil Armstrong pisou no solo da Lua, seguido do piloto Edwin Aldrin. [...] Todos acompanharam a cena pela tev. O fato foi to surpreendente que muitas pessoas no acreditavam
no que viam, supondo ser algum truque. [...] "Um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade", disse
 Armstrong na Lua para a Terra inteira ouvir e registrar.

<R+>
"O Homem chega  Lua". In: *Estadinho/O Estado de S. Paulo*, 01/01/2000.

_`[Foto mostrando os dois astronautas na lua_`]
 Legenda: Essa imagem retrata o momento em que os astronautas fincaram, no solo da Lua, uma bandeira de seu pas, os Estados Unidos.
<R->

O que diz o texto

<R+>
<F->
1- Que fato est sendo contado nessa notcia?
2- Quando esse fato ocorreu?
3- De acordo com o texto, que pessoas pisaram o solo da Lua?
4- Qual foi a reao de muitas pessoas que acompanhavam esse fato pela televiso?
5- Qual seria a sua reao se voc estivesse assistindo a esse acontecimento pela televiso?
<F+>
<R->

 bom saber

  As histrias que voc vai estudar no decorrer deste ano no foram inventadas. Elas foram vividas por pessoas em diferentes pocas e lugares.
  Nesse tipo de histria, so estudados vrios elementos, entre eles: os fatos ocorridos; o tempo, isto , quando esses fatos ocorreram; os lugares em que ocorreram e quem deles participaram.

<14>
Conhecendo o passado

  Estudar histria  analisar fatos que aconteceram no passado. Mas por que ser que o ser humano se interessa tanto por assuntos ocorridos em outras pocas?
  Isso j deve ter acontecido com voc.  possvel que em algum momento de sua vida voc tenha pesquisado fatos do seu passado, por exemplo, onde nasceu ou quando comeou a falar e andar.
  So vrios os motivos que levam uma pessoa a estudar o passado. O principal deles  que, conhecendo o passado, as pessoas compreendem o presente, e, conseqentemente, podem ajudar a construir um futuro melhor.
  Para auxiliar nessa tarefa de conhecer e interpretar o passado, existe o estudo de Histria.

 bom saber

  A histria  construda pelas aes que o ser humano pratica em diferentes lugares ao longo do tempo. Por isso, a histria continua sendo feita a cada dia e todos ns participamos de sua construo.
<15>
<P>
Escrevendo a histria

  Todos os dias acontecem fatos que passam a fazer parte da histria. Mas
existem acontecimentos que ocorreram h muito tempo, muitos anos antes
de ns existirmos. E como ser que esses fatos so conhecidos e explicados?
  Muitos acontecimentos passados somente tornam-se conhecidos por meio
de pesquisas. Essas pesquisas so realizadas por profissionais que se dedicam
exclusivamente ao estudo da histria, chamados de historiadores.
<P>
<F->
!::::::::::::::::::::::::::::::::
l    Srgio Buarque de Ho-    _
l  landa 1902-1982 foi um    _
l  importante historiador bra-   _
l  sileiro. Ele dedicou seus    _
l  estudos  anlise da forma-   _
l  o da histria do nosso      _
l  pas. Parte desses estudos   _
l  est registrada em seu pri-   _
l  meiro livro, *Razes do      _
l  Brasil*, lanado em 1936.   _
h::::::::::::::::::::::::::::::::j
<F+>

  Para recuperar e interpretar informaes sobre o passado, os historiadores analisam todo tipo de vestgio que  deixado pelas pessoas e tambm diferentes
tipos de materiais, que so chamados de fontes histricas ou documentos histricos.
  Depois, os historiadores explicam o significado dessas fontes para que a histria se torne conhecida por todos.
<P>
<R+>
 Imagine que no futuro algumas pessoas estejam tentando reconstituir o modo de vida que voc tem atualmente. Quais fontes voc acha que essas pessoas podero investigar para descobrir informaes sobre como voc vive?
<R->

<16>
Estudando os documentos 
  histricos

  No trabalho de pesquisa, os historiadores utilizam as mais variadas fontes que possam trazer informaes sobre modos de vida, costumes, lugares, pessoas
ou sociedades de outras pocas.
  As fontes histricas podem ser escritas ou no-escritas.
  Entre as fontes escritas deixadas pelo ser humano, esto: cartas, dirios, mapas, livros, jornais, revistas, constituies, documentos pessoais etc.
  Veja a seguir a reproduo de uma antiga cdula de dinheiro que
<P>
circulou em nosso pas entre os anos de 1944 e 1967.

<R+>
 _`[Na cdula aparece a foto do Marqus de Tamandar e destacadas, as seguintes informaes_`]
  A -- Se pagar ao portador
  B -- No Tesouro Nacional
  C -- Repblica dos Estados Unidos do Brasil
  D -- Diretor Caixa de Amortizao e Ministro da Fazenda (suas respectivas assinaturas)
  E -- Um cruzeiro
<R->

  Analisando essa cdula, obtemos diversas informaes sobre a poca em
que ela circulou, por exemplo: como era o nome do nosso pas naquele
tempo; qual era o nome da moeda que circulava no pas; qual era a instituio
responsvel por emitir a cdula; quem eram as pessoas que assinavam as
cdulas; que nas notas havia uma indicao de ordem de pagamento.

<R+>
  Identifique, na cdula, a letra que corresponde a cada um dos elementos destacados a seguir. Anote as respostas.
<R->
  Por exemplo, a letra A corresponde  indicao de ordem de pagamento.
<R+>
<F->
-- Nome do pas
-- Nome e valor da moeda
-- Instituio responsvel por emitir a moeda
-- Pessoas que assinavam as 
  cdulas
 Compare a descrio da cdula da pgina anterior com a descrio de uma atual e identifique o que mudou e o que permaneceu igual nas cdulas de dinheiro.
<F+>
<R->

<17>
  As fontes no-escritas pesquisadas pelos historiadores so bastante variadas. Entre essas fontes esto pinturas, esculturas, fotografias, gravuras, filmes,
vestimentas, utenslios domsticos, brinquedos etc.
  Observe um exemplo.

<R+>
_`[Foto de uma senhora, usando vestido com saia e mangas longas, em uma liteira com dois escravos descalos, usando camisas, casacos, chapus e calas compridas_`]
 Legenda: Essa fotografia, tirada em So Paulo por um fotgrafo annimo no ano de 1860, retrata uma senhora em uma liteira, meio de transporte utilizado para carregar pessoas, e os escravos que eram obrigados a transport-la.
<R->

O que diz a imagem

<R+>
<F->
1- H quanto tempo essa fotografia foi tirada?
2- Que pessoas esto retratadas nessa imagem?
3- Descreva as vestimentas que as pessoas retratadas esto usando.
4- Esses tipos de vestimentas ainda so comuns nos dias de hoje?
5- Que meio de transporte aparece retratado na descrio da fotografia na pgina anterior?
6- Atualmente, esse meio de transporte ainda  utilizado no Brasil?
<F+>
<R->
<18>

  Os monumentos e as construes antigas tambm so outro exemplo de fonte histrica no-escrita.

<R+>
<F->
_Foto de um monumento mostrando dois cavalos seguidos por representantes de vrios povos como: indgenas, portugueses, mamelucos e descendentes de africanos_
Legenda: Os monumentos so obras de arte construdas com o objetivo de homenagear pessoas ou relembrar acontecimentos histricos.
  A descrio da fotografia acima, tirada por volta de 2000, retrata o Monumento s Bandeiras, localizado no Parque do Ibirapuera, no municpio de
<P>
  So Paulo, estado de So Paulo.

_Foto de um chafariz, numa
  praa_
Legenda: As construes antigas revelam muitas informaes sobre a sociedade e a poca em que foram construdas.
  A fotografia acima, tirada por volta de 2000, retrata o Chafariz de Marlia, construdo no ano de 1758, na cidade de Ouro Preto, estado de Minas Gerais.

 No lugar onde voc vive existem monumentos? Caso haja, diga o que eles representam ou a quem homenageiam.
 Voc j viu uma construo antiga? Que tipo de construo era?
<F+>
<R->
<19>
<P>
 bom saber

  Outro exemplo de fonte hist-
 rica no-escrita so os depoimentos de pessoas. Esses depoimentos, geralmente, so coletados por meio de entrevistas, nas quais as pessoas narram experincias de vida que esto guardadas na memria delas.
  Os depoimentos servem de registro da histria que est ocorrendo no
presente ou que ocorreu em um passado recente.

Atividades

<R+>
<F->
1- Observe a reproduo da pintura a seguir e depois responda as questes.

_Muitas pessoas: jovens e crianas, em uma praa, participando de variadas brincadeiras: subir em rvores, virar cambalhota, pular carnia, rolar aro,
<P>
  cabra-cega, cavalinho, pio, trenzinho, rola-pipo_

Pieter Bruegel, *O Velho. Brincadeiras Infantis*. leo sobre madeira, 118 {" 161 cm, 1560.

a) Essa descrio da imagem  um tipo de fonte histrica escrita ou no-escrita?
b) Em que ano a tela foi produzida?
c) Qual  o ttulo da tela e o que ela est retratando?
d) Na sua opinio, essas brincadeiras so antigas ou atuais? Como voc chegou a essa concluso?
e) Quais das brincadeiras retratadas na descrio da imagem na pgina anterior voc conhece?
<F+>
<R->
<20>

 bom saber

  Existe uma outra cincia que tambm se ocupa de estudar o passado da humanidade. Essa cincia  chamada de arqueologia.
  Os arquelogos, como so conhecidos os estudiosos dessa cincia, dedicam-se a pesquisar, principalmente, grupos humanos que viveram h milhares de anos. Em suas pesquisas, os arquelogos investigam vestgios da presena desses grupos humanos, em diferentes tipos de fontes: pinturas em cavernas, ossadas de seres humanos ou de animais, utenslios e outros objetos de cermica, antigas ferramentas de trabalho, entre outros.

<R+>
<F->
_Foto mostrando, nas paredes de uma caverna, a pintura de duas pessoas e trs animais_
Legenda: Essa fotografia, tirada em 1994, retrata uma pintura encontrada no Parque Nacional da Serra da Capivara, localizado no municpio de So Raimundo Nonato, estado do Piau.
  Segundo pesquisas arqueolgicas, algumas dessas pinturas teriam sido feitas por povos que
<P>
  viviam na regio h cerca de 40 mil anos.

 Que elementos foram retratados na pintura da pgina anterior?
 Na sua opinio, o que as pessoas que desenharam a pintura acima estavam querendo retratar?

_Foto de uma mulher trabalhando em um stio arqueolgico_
Legenda: Nessa imagem, produzida em 1996, vemos uma arqueloga pesquisando uma ossada que foi encontrada em uma rea da Usina Hidreltrica Serra da Mesa, localizada no municpio de Uruau, estado de Gois.
<F+>
<R->

  Os lugares onde so encontrados vestgios de grupos humanos j desaparecidos so chamados de stios arqueolgicos. Os estudos realizados nesses lugares tornam possvel o conhecimento de caractersticas do dia-adia dos povos pesquisados, como os tipos de alimentos que consumiam ou as atividades que realizavam.

<21>
Mais atividades

Em casa

  Converse com um de seus pais ou um outro familiar e procure saber sobre um fato que tenha ocorrido no ano em que voc nasceu. Pode ser algo que tenha acontecido no municpio ou estado onde voc mora, no
Brasil ou em algum outro pas.
  Veja a seguir as informaes que voc pode pesquisar sobre esse acontecimento.
<R+>
<F->
-- Fato
-- Quando e onde ocorreu
-- Motivos
-- Pessoas ou grupos que participaram
-- Conseqncias
<F+>
<R->

  Traga para a sala de aula as informaes que voc obteve e apresente-as para os colegas.
<P>
Mos  obra

  Pesquise um fato que faa parte da histria do Brasil.
  Em seguida, confeccione um cartaz com as informaes que voc pesquisou e ilustre-o com recortes ou desenhos.
  Traga seu cartaz para a sala de aula e mostre-o aos colegas. Em seguida, organizem com o professor uma exposio dos cartazes produzidos.

               oooooooooooo
<22>
<P>
Unidade 2

Indgenas e europeus: O encontro
  entre culturas

  Leia o texto a seguir.

<F->
<R+>
PRIMEIRO S NS NDIOS
VIVAMOS NESTA TERRA.

Os ndios eram donos
de todas as matas,
eram donos
de todos os rios,
eram donos
de todos os campos.

Os ndios no eram todos
de uma Nao s.
Tinha muita Nao diferente.

Tinha ndio morando na beira
  do mar.
Tinha ndio morando na beira
  do rio.
Tinha ndio vivendo nas matas.
Tinha ndio vivendo nos campos. [...]

<23>
Nossa gente vivia feliz.

Tinha muita caa.

Tinha muito peixe.

Tinha muita fruta.

Nunca faltava terra boa
para fazer roa.

Os ndios sempre
moraram nesta terra.

Foi o ndio
que morou primeiro
nesta terra.

Eunice Dias de Paula et al. *Histria dos povos indgenas*: 500 anos de luta no Brasil.
  Petrpolis, Vozes/CIMI, 1986.
<P>
Agora, responda as questes.

 A qual terra voc acha que o narrador do texto se refere?
 O texto narra fatos ocorridos com qual povo?
 O texto trata da situao dos povos indgenas no passado. De acordo com o texto, o modo de vida desses povos era bom ou ruim? Identifique no texto e copie os trechos que confirmam isso.
 Na sua opinio, como est a situao dos indgenas atual-
  mente?
<F+>
<R->

<24>
Povos indgenas no Brasil atual 

  Atualmente, no Brasil, existem cerca de 200 povos indgenas vivendo em diferentes estados brasileiros.
  Observe o mapa a seguir.
<P>
<R+>
<F->
Parques e terras indgenas no Brasil em 2002

_Em destaque, aparecem as reas habitadas por povos indgenas nos seguintes estados: Acre, Amazonas, Roraima, Amap, Par, Rondnia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Gois, Tocantins, Maranho, Cear, Paraba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Esprito Santo, Rio de Janeiro, So Paulo, Paran, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Distrito Federal_ 

Adaptado de *Atlas Geogrfico Escolar*. Rio de Janeiro, IBGE, 2002.
 
 De acordo com o mapa, quais so os dois estados brasileiros onde no h populao indgena?
<F+>
<R->
<P>
 bom saber

  Os povos indgenas foram os primeiros a se fixar no territrio que hoje corresponde ao Brasil. Por isso, estudar a histria desses povos  conhecer uma parte da histria de nosso pas.
  Nas prximas pginas, voc vai conhecer um pouco mais sobre os indgenas que atualmente habitam este territrio e tambm sobre os povos que aqui j viveram.

<25>
  Como vimos, no Brasil, existem diferentes povos indgenas. Esses povos
apresentam muitas diferenas entre si, por exemplo, na lngua que falam e nos
seus costumes e tradies.
  Muitos desses povos vivem em aldeias, localizadas nas florestas, e obtm
da natureza o que necessitam para viver. Observe nas imagens A e B um
desses povos.
<P>
<R+>
<F->
A --
_Um indgena, numa clareira na mata, com seu arco e flecha_
Legenda: Jovem Ianommi, da aldeia Demini, do estado de Roraima, no ano de 1991.

B --
_Uma indgena, com um faco, cortando um cacho de bananas_
Legenda: Mulher Ianommi da aldeia Demini, do estado de Roraima, no ano de 1991.

O que dizem as imagens

1- Quais so as atividades realizadas pelos povos indgenas que esto retratadas nessas imagens? Converse com os colegas.
<F+>
<R->

<26>
  Hoje em dia, ainda existem grupos indgenas que vivem isolados e no mantm nenhum tipo de contato com a sociedade no-indgena.
  Porm, muitos grupos indgenas que vivem no Brasil mantm contato com a sociedade no-indgena. Devido a esse contato, eles assimilaram vrios
hbitos que no faziam parte de sua cultura, entre eles o costume de vestir roupas e de usar eletrodomsticos em casa, como geladeira, televiso etc.
  Apesar da influncia que recebem de nossa sociedade, muitos desses povos procuram preservar suas formas tradicionais de construir moradias, trabalhar,
festejar e de obter alimentos.

<R+>
 Voc acha que ao assimilar hbitos de outra sociedade, o indgena deixa de ser um indgena? Por qu?
<R->

  As imagens a seguir retratam indgenas pertencentes a diferentes povos. Observe-as.

<R+>
<F->
A --
_`[Indgenas, vestidas, trabalhando com mquinas de costura_`]
Legenda: Mulheres Xavante da aldeia Pimentel Barbosa, no estado de Mato Grosso, no ano de 1999.

B --
_`[Um indgena com um rdio-gravador_`]
Legenda: Homem Kaiap, no municpio de Altamira, no estado do Par, no ano de 1989.

O que dizem as imagens

1- Identifique os hbitos no-indgenas que passaram a fazer parte do dia-a-dia dos povos retratados.
<F+>
<R->

Minhas idias, nossas idias

<27>
  Os povos indgenas, geralmente, possuem um modo de vida e costumes bastante diferentes dos no-indgenas, como a maneira de falar, de se pintar,
de trabalhar, de escolher o lugar onde vo morar. E, muitas vezes, esse jeito de viver dos indgenas no  bem compreendido e respeitado pelas pessoas.
  No texto a seguir, o escritor Daniel Munduruku, pertencente ao povo Munduruku, fala um pouco sobre isso. Leia-o.

  Quando eu era pequeno no gostava de ser ndio. Todo mundo dizia que o ndio  um habitante da selva, da mata, e que se parece muito com
os animais. Tinha gente que dizia que o ndio  preguioso, traioeiro, canibal. Eu ouvia isso dos meus colegas de escola e sentia muita raiva deles
porque eu sabia que isso no era verdade, mas no tinha como faz-los entender que a vida que o meu povo vivia era apenas diferente da vida
da cidade. E isso me fazia sofrer bastante, at porque o fato de ter cara de ndio, cabelo de ndio, pele de ndio, no me permitia negar a minha
prpria identidade e meus amigos faziam questo de colocar-me de lado nas brincadeiras como se eu fosse um monstro. Isso durou bastante tempo
e foi to difcil aceitar minha prpria condio que eu cheguei a desejar no ter nascido ndio...
  Foi meu av que me ajudou a superar estas dificuldades. Ele me mostrou a beleza de ser o que eu era. Foi ele quem me disse um dia que
eu deveria mostrar para as pessoas da cidade esta beleza e a riqueza que os povos indgenas representam para a sociedade brasileira. [...]
  Por muito tempo -- e ainda hoje  assim -- os povos indgenas foram mal compreendidos pelas pessoas, simplesmente porque eles tinham um
jeito prprio de viver: no compravam as coisas nos supermercados, no tinham que ir para locais de trabalho definidos, no precisavam comprar uma poro de
coisas, vivendo apenas com o necessrio para o dia-a-dia. [...]

<R+>
<F->
Daniel Munduruku. *Coisas de ndio*: verso infantil. So Paulo, Callis Editora, 2003.

1- No texto, o autor destaca algumas caractersticas que foram atribudas indevidamente aos indgenas: preguioso, traioeiro e canibal. Por que no  correto usar esses termos para fazer referncia aos indgenas?
2- Voc acha que o fato de uma pessoa ou povo ter um modo diferente de ser e de viver  motivo para que seja desprezado? 
  Por qu?
3- Imagine que voc estivesse no lugar do autor do texto. Como voc se sentiria se os seus colegas impedissem voc de brincar com eles? Comente.
<F+>
<R->
<28>

Os donos desta terra

  Voc j viu que os indgenas foram os primeiros habitantes desta terra.
  H cerca de 500 anos, o territrio que hoje corresponde ao Brasil j era habitado por diversos povos indgenas. Os pesquisadores calculam que,
naquela poca, havia cerca de 3 milhes de indgenas vivendo no litoral e no interior de nosso territrio.
  Esses indgenas viviam em grupos e, geralmente, organizavam suas moradias em aldeias.
  Esses povos eram muito diferentes entre si. Cada um deles tinha seu prprio costume, sua lngua, seu modo de organizar a aldeia e seus meios de obter os alimentos.
  Observe as imagens A e B. Elas retratam dois povos indgenas que viviam em nosso territrio.

<R+>
<F->
A --
_`[Um grupo de pessoas, homens e mulheres, com os corpos pintados. Os homens apresentam seus corpos cobertos de desenhos enquanto as mulheres esto pintadas, apenas, parte dos seus corpos. Um pouco afastadas do grupo, aparecem pessoas descansando em redes e outras trabalhando em um pilo_`]
<P>
Legenda: Grupo de Apiacs retratado pelo artista francs Hercule Florence, no ano de 1828.
<F+>
<R->

O que diz a imagem

<R+>
<F->
1- Quando essa imagem foi produzida?
2- As pinturas feitas nos corpos dos homens so iguais ou diferentes das que foram feitas nos corpos das mulheres?
3- Descreva o que as pessoas retratadas esto fazendo.

B --
_`[{reproduo de uma tela mostrando: uma mulher pintando o tornozelo de um homem; trs mulheres preparando o alimento, no pilo; um homem tocando uma espcie de instrumento musical, uma mulher, sentada na rede, amamentando um beb_`]
<29>
Legenda: Indgenas Camac representados pelo pintor fran-
<P>
  cs Jean Baptiste Debret, em 1834.
<F+>
<R->

O que diz a imagem

<R+>
<F->
1- Quando essa imagem foi produzida?
2- Descreva o que as pessoas retratadas esto fazendo.
3- Compare a imagem acima com a anterior e identifique algumas semelhanas e algumas diferenas entre os costumes dos povos indgenas retratados, com relao:
-- aos tipos de desenhos que faziam em seus corpos;
-- aos enfeites que utilizavam;
-- ao objeto que usavam para preparar os alimentos;
-- ao objeto onde descansavam ou dormiam.
<R->
<F+>

<30>
  Apesar de possurem muitas diferenas entre si, alguns povos indgenas apresentavam semelhanas, por exemplo, na lngua que falavam. De acordo
com algumas caractersticas da lngua falada, os povos indgenas foram distribudos pelos pesquisadores em grandes grupos, chamados grupos lingsticos.
  Observe essa distribuio no mapa a seguir.

<F->
<R+>
Grupos lingsticos indgenas no territrio brasileiro em 1500

_`[{em destaque aparecem as reas ocupadas pelos povos: 
  Tupi-Guarani -- ocupavam a maior parte das terras locali-
  zadas prximo ao litoral e no interior; 
  J -- ocupavam pequenas reas espalhadas pelo Norte e Centro do Brasil; 
  Caraba -- ocupavam uma rea localizada na regio mais ao Norte_`]

Jos Jobson de A. Arruda. *Atlas Histrico Bsico*. So Paulo, tica, 1995.

O que diz a imagem

1- No ano de 1500, quais eram os principais grupos lingsticos indgenas que havia no territrio que hoje  o Brasil?
2- Qual dos grupos lingsticos indgenas ocupava a maior parte das terras localizadas prximas ao litoral?
Aruaque -- Caraba -- Tupi-
  -Guarani -- J
<R->
<F+>
<31>

  Os Tupi-Guarani eram um dos grupos mais numerosos que habitavam estas terras. Esse grupo era formado por povos como os Tupinamb, Tamoio
e Aimor, que viviam em reas prximas ao litoral brasileiro.
  Muitos povos indgenas no tinham o hbito de viver em um mesmo lugar por muito tempo. Eles se deslocavam  procura de lugares onde houvesse
caa, pesca, frutos e razes em abundncia, e tambm
<P>
onde pudessem cultivar pequenas lavouras.
  Leia o trecho de um texto que descreve alguns aspectos do modo de vida dos Tupi-Guarani e como era a agricultura praticada por eles.

  Plantavam milho e, sobretudo, mandioca, praticando o que se chama de agricultura de coivara. Queimavam um trecho da floresta e a realizavam
suas plantaes. Quando a terra se esgotava e a produo se tornava mais fraca, mudavam-se para outro local e repetiam o mesmo
processo. Por isso, estavam sempre em movimento. [...]

<R+>
<F->
Norberto Luiz Guarinello. *Os primeiros habitantes do Brasil*. So Paulo, Atual, 1994.
<P>
O que diz o texto

1- Quais eram os principais produtos cultivados pelos povos que formavam o grupo Tupi-Guarani?
2- Descreva como era praticada a agricultura de coivara.
3- O que os Tupi-Guarani faziam quando a terra se esgotava e a produo se tornava fraca?
<F+>
<R->

  Assim como os Tupi-Guarani, outros grupos indgenas que habitavam este territrio tambm costumavam deslocar-se em busca de lugares onde houvesse alimentos.  o caso, por exemplo, dos Puri.

<R+>
<F->
<32>
Atividades

1- Na maioria das aldeias indgenas, o trabalho era dividido entre os seus membros. Geralmente, havia tarefas que eram realizadas pelas mulheres, e outras que eram realizadas pelos homens. Observe as imagens e identifique quais so as tarefas que esto sendo realizadas em cada uma delas.

_`[{a -- indgenas com um beb no colo, plantando uma roa; 
  B -- indgenas com um machado, construindo uma canoa; 
<33>
  C -- indgenas com colares, preparando os alimentos, em uma tigela e num pilo; 
  D -- indgenas amarrando com cip a estrutura de uma moradia; 
  E -- indgena, com colares, tranando um cesto de palha; 
  F -- indgenas, com arco e flecha, no meio da mata_`]
 
2- Escreva o nome das tarefas que voc identificou na ativi-
  dade 1, separando-as em:
a) tarefas realizadas por mulheres;
b) tarefas realizadas por homens.
<F+>
<R->
<34>
<P>
 bom saber

  Muitos povos indgenas que vivem atualmente no Brasil ainda conservam vrios dos costumes que herdaram de seus *antepassados*. Entre
esses costumes esto a maneira de construir as moradias e de organizar a aldeia, de preparar os alimentos, de realizar festas, de plantar e de colher,
de caar, de pescar, de coletar os frutos e razes, extraindo da natureza somente aquilo de que necessitam
 para viver.
  Observe as imagens a seguir.

<R+>
<F->
A --
_`[{um menino preparando alimento no pilo_`]
Legenda: Menino Xavante, aldeia Pimentel Barbosa, Mato Grosso, 1996.

B -- 
_`[{uma indgena pintando o rosto da outra_`]
Legenda: Mulheres Xavante, aldeia Pimentel Barbosa, Mato Grosso, 1996.

C --
_`[{uma indgena e uma criana, descansando em uma rede_`]
Legenda: Mulher e criana Ianommi, aldeia Demini, Roraima, 1991.

 Compare as descries das imagens acima com as das pginas 34 e 35. Quais costumes voc consegue identificar que permaneceram entre os povos indgenas?
<F+>
<R->
<35>

Portugueses em terras indgenas

  No ano de 1500, os povos indgenas que viviam no litoral de nosso territrio entraram em contato com navegadores que vieram da Europa.
  Esses navegadores eram portugueses e chegaram  atual terra brasileira em uma frota de navios, conhecidos como caravelas e naus.
  O pintor brasileiro Oscar Pereira da Silva imaginou como foi esse encontro e o representou em uma tela.
  Veja a reproduo dessa tela.

<R+>
<F->
_`[{a tela mostra as caravelas ao largo e um barco com portugueses se aproximando da praia. De p, na areia, os indgenas, usando tangas, observam, espantados, o desembarque_`]

Oscar Pereira da Silva. *Desembarque de Pedro lvares Cabral em Porto Seguro em 1500*. leo sobre tela, 
  190 {" 333 cm, 1922. 
<F+>
<R->

O que diz a imagem

<R+>
<F->
1- Em que ano essa tela foi produzida?
2- Quanto tempo aps a chegada dos portugueses a este territrio ela foi produzida?
3-  possvel afirmar que essa tela retrata exatamente como foi o encontro entre os portugueses e os indgenas? Por qu?
4- Observe como os indgenas esto retratados na descrio da imagem na pgina anterior. Na sua opinio, qual  o sentimento dos indgenas em relao  chegada dos portugueses?
5- Imagine como seria uma pintura feita pelos indgenas que aqui viviam, retratando a che-
  gada dos portugueses a este territrio.
<F+>
<R->

<36>
  Os navegadores portugueses que aqui chegaram estavam sob o comando de Pedro lvares Cabral. Eles partiram da cidade de Lisboa, em Portugal, em 9
de maro de 1500, e chegaram a uma regio que foi chamada de Porto Seguro, no atual estado da Bahia, em 22 de abril daquele ano.
  Por ordem do rei de Portugal, os navegadores portugueses viajavam para diferentes lugares em busca de riquezas, como ouro e prata, e tambm 
procura de especiarias para serem vendidas na Europa.
  Os portugueses chamavam de especiarias alguns produtos que eram utilizados como tempero, conservantes de alimentos ou como remdio. Entre
as principais *especiarias* estavam a pimenta, o gengibre, a noz-moscada, a canela e o cravo. Para os europeus, esses produtos eram considerados especiais
devido  dificuldade de serem encontrados na Europa.

<R+>
 gengibre -- cravo -- pimenta -- canela -- noz-moscada

<F->
 Em quais lugares esses produtos podem ser adquiridos hoje em dia?
 Cite alguns exemplos de como esses produtos so utilizados atualmente.
 Quais desses produtos sua famlia costuma utilizar?
<F+>
<R->

<37>
  O encontro entre os portugueses e os indgenas foi registrado por Pero Vaz de Caminha, *escrivo* da frota de Cabral. Em uma carta dirigida ao rei de Portugal,
ele comentou detalhes da terra encontrada e dos povos que nela viviam.
  Leia, no trecho a seguir, a descrio que Caminha fez dos indgenas que os portugueses encontraram no territrio que hoje corresponde ao Brasil.

  A feio deles  parda, algo avermelhada, de bons rostos e bons narizes. Em geral so bem-feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. No
fazem o menor caso de cobrir ou mostrar suas vergonhas, e nisso so to inocentes como quando mostram o rosto. Ambos os dois [indgenas]
traziam o lbio de baixo furado e metido nele um osso branco, do comprimento de um palmo [...].
<P>
  Os cabelos deles so corredios. E andavam tosquiados, raspados por cima das orelhas. [...]

<R+>
<F->
Antonio Carlos Olivieri e Marco Antonio Villa. *Carta do achamento do Brasil*. So Paulo, Callis, 1999.

O que diz o texto

1- De acordo com o relato de Caminha, como era a aparncia fsica dos povos indgenas encontrados pelos portugueses quando aqui chegaram?
2- Quais costumes desses povos foram citados na carta?
3- Observe a imagem abaixo. Ela retrata o navegador Pedro lvares Cabral. Imagine e comente com os colegas como os indgenas teriam descrito os portugueses. 
<F+>

_`[Descrio da imagem:
  Um homem de barba e bigode bem tratados, vestindo um casaco de veludo e usando um pequeno chapu_`]
<R->

<38>
  Aps a chegada, os portugueses decidiram tomar posse destas terras, ignorando que os povos indgenas eram os verdadeiros donos delas.
  Cabral mandou, ento, que se construsse uma grande cruz de madeira, colocasse nela o smbolo do reino de Portugal e a cravasse no solo, indicando a posse em nome do rei de seu pas.

<R+>
<F->
 Voc acha que os indgenas estavam compreendendo o significado da elevao daquela cruz e o que ela representava? Comente.
<F+>
<R->

  Os primeiros contatos entre os portugueses e os indgenas que viviam no
litoral do nosso territrio foram bastante amigveis. Inicialmente, os indgenas
aceitaram a vinda dos portugueses e os ensinaram a sobreviver na nova terra.
Veja alguns exemplos de como isso ocorreu.

  [...] Num primeiro momento, os europeus tinham muitas deficincias diante do meio natural desconhecido, ao passo que os ndios eram capazes
de percorrer os caminhos, evitar animais perigosos, utilizar-se de frutas, plantas e razes para sua alimentao, enfim, sabiam conviver com o ambiente
a que estavam acostumados. Foi com os ndios que os europeus aprenderam a caar e pescar nas matas e rios brasileiros, a colher mandioca [...], a
cultivar o milho, o fumo, a batata-doce, a alimentar-se com frutas e animais exticos. [...]

<R+>
<F->
Laima Mesgravis e Carla Bassanazi Pinsky. *O Brasil que os europeus encontraram: a natureza, os ndios, os homens brancos*. So Paulo, Contexto, 2000.

 Cite algumas das atividades que os portugueses aprenderam com os povos indgenas.
<F+>
<R->

<39>
  Depois de Cabral, outras *expedies* portuguesas vieram para c com o objetivo de explorar as novas terras em busca de riquezas.
  A primeira riqueza que chamou a ateno dos portugueses e que foi explorada por eles foi o pau-brasil, uma rvore de madeira avermelhada, da qual era possvel ex-
 trair um corante utilizado para tingir tecidos. Grandes quantidades de pau-brasil eram retiradas das nossas matas e levadas para serem vendidas na Europa.
  Observe a imagem.

<R+>
<F->
_`[Um mapa antigo mostra os indgenas cortando e transportando o pau-brasil at os navios portugueses_`]
Legenda: Essa imagem  a reproduo de um mapa atribudo ao cartgrafo Lopo Homem, que o teria produzido por volta de 1519.
  Esse mapa representa a extrao do pau-brasil, realizada no territrio onde atualmente se encontra o Brasil.
<F+>
<R->

O que diz a imagem

<R+>
<F->
1- De acordo com o mapa, quem realizava o trabalho de cortar o pau-brasil?
2- Para quem eles entregavam a madeira que cortavam?
3- Na sua opinio, por que os indgenas realizavam essa atividade?
<F+>
<R->

  Para conseguir extrair a maior quantidade de madeira possvel, os europeus convenceram os habitantes da terra a trabalhar no corte e no transporte do
pau-brasil at os navios. Em troca desse trabalho, os indgenas recebiam objetos que ainda no conheciam, como espelhos, pentes, anzis e tecidos, e tambm
ferramentas, como facas e machados.

<40>
 bom saber

  Antes de ter o nome pelo qual  conhecido hoje, o Brasil recebeu outros nomes. Os Tupi-Guarani que aqui viviam antes da chegada dos portugueses
chamavam esta terra de Pindorama. Na lngua tupi, Pindorama significa regio das palmeiras. Esses povos assim a chamavam devido 
existncia desse tipo de rvore perto do litoral.
  Quando Cabral e sua frota chegaram e avistaram parte do nosso territrio, acharam que se tratava de uma ilha
e chamaram-na, primeiramente, de Ilha de Vera Cruz. Depois, perceberam que eram terras bem maiores e deram-lhe o nome de Terra de Santa Cruz.
  Contudo, nosso territrio tornou-se conhecido em outros reinos europeus pela grande quantidade de pau-brasil que havia aqui. Por
<P>
essa razo, ele passou a ser chamado de Brasil.

Atividades

<R+>
<F->
1- Leia as frases abaixo e identifique aquelas que apresentam informaes incorretas. Em seguida, reescreva essas frases, corrigindo as informaes.
a) No ano de 1500, os portugueses chegaram ao atual territrio brasileiro.
b) Ao chegar a este territrio, os portugueses reconheceram que os povos indgenas eram os donos das terras.
c) Os primeiros contatos entre os habitantes destas terras e os portugueses foram amigveis.
d) Os indgenas trabalhavam na extrao do pau-brasil e, em troca, recebiam pagamento em dinheiro.
<P>
Minhas idias, nossas idias
<F+>
<R->

  Voc aprendeu que os portugueses vieram para este territrio e, ao tomar posse das terras, ignoraram que os povos indgenas
eram seus verdadeiros donos.

<R+>
 1- Converse com os colegas e comente a atitude dos portugueses. Voc acha que eles agiram de forma correta? Por qu?
<R->
<41>

Os portugueses chegaram para 
  ficar

  Nos primeiros anos aps a chegada de Cabral, vrias expedies portuguesas eram enviadas para c com o principal objetivo de buscar pau-brasil.
  Mas, alm dos portugueses, outros povos europeus tambm comearam a explorar o pau-brasil em nossas terras, especialmente os franceses.
  O rei de Portugal, preocupado com esses invasores e para garantir a posse das terras, decidiu, ento, coloniz-las.
  Assim, no ano de 1530, enviou para c a primeira expedio colonizadora, que foi comandada por Martim Afonso de Souza. Com ele, vieram muitos portugueses que queriam se estabelecer por aqui e tambm alguns padres para catequizar os povos indgenas, ou seja, ensinar-lhes a religio catlica.
  Algum tempo aps a chegada de Martim Afonso, ele e as demais pessoas de sua expedio fundaram a primeira vila na Colnia: So Vicente.
  A imagem a seguir  uma reproduo de uma tela produzida pelo artista brasileiro Benedito Calixto, no ano de 1900. Nessa tela, ele faz uma representao da fundao de So Vicente.

<R+>
<F->
_`[Descrio da imagem:
  No mar, aparecem duas caravelas; em terra firme, algumas moradias indgenas, Martim Afonso de Souza, um grupo de indgenas, soldados portugueses e um padre_`]

Benedito Calixto. *Fundao de So Vicente*. leo sobre tela, 192 {" 385 cm, 1900.
<F+>
<R->

O que diz a imagem

<R+>
<F->
1- Identifique nessa imagem os seguintes elementos:
-- indgenas
-- soldados portugueses
-- padre
-- caravelas portuguesas
-- personagem que representa Martim Afonso de Souza
-- moradias indgenas
<F+>
<R->

<42>
  Alm da extrao do pau-brasil, os portugueses iniciaram uma outra atividade nas novas terras: o cultivo da cana-de-acar.
  Naquela poca, o acar era um produto muito raro e bastante valorizado. O cultivo da cana traria grande lucro para os portugueses, que produziriam o acar para ser vendido na Europa.
  Utilizando a mo-de-obra dos indgenas, que trabalhavam em troca de mercadorias, os colonizadores comearam a derrubar a mata e, assim,
iniciou-se em So Vicente o cultivo da cana-de-acar e a implantao de engenhos.
  Alguns anos aps a fundao de So Vicente, o rei de Portugal, Dom Joo III, resolveu ampliar a colonizao
e incentivar o povoamento da nova terra.
  Para isso, em 1534, dividiu o territrio em grandes lotes, chamados de capitanias hereditrias.
  Veja a descrio do mapa ao lado a representao dessas capitanias.
<P>
<R+>
<F->
Capitanias hereditrias

_`[Do Norte para o Sul, os nomes das capitanias_`]

Par -- Maranho -- Piau -- Rio Grande -- Itamarac -- Pernambuco -- Bahia de Todos os Santos -- Ilhus -- Porto Seguro -- Esprito Santo -- So Tom -- Rio de Janeiro
  -- Santo Amaro -- So
  Vicente -- Santana 

Jos Jobson de A. Arruda. *Atlas Histrico Bsico*. So Paulo, tica, 1995.
<F+>
<R->

  As capitanias foram doadas a pessoas importantes de Portugal, como nobres e comerciantes, que foram chamados de donatrios. Eles deveriam
administrar as capitanias com recursos prprios e tambm trazer outros portugueses para morar aqui e desenvolver o cultivo da cana-de-acar.

<R+>
<F->
 Em quantas capitanias hereditrias foi dividido o territrio que hoje corresponde ao Brasil?
 Compare os nomes de algumas capitanias hereditrias com os nomes dos atuais estados brasileiros. O que voc pode verificar a partir dessa observao?
<F+>
<R->

<43>
  A produo da cana-de-acar em nosso territrio comeou a crescer e passou a necessitar de muitas pessoas para realizar tarefas pesadas durante
uma longa jornada de trabalho. Os portugueses passaram ento a utilizar o trabalho indgena na produo do acar. Porm, como os indgenas no
tinham interesse em acumular riquezas, eles trabalhavam somente at obter os objetos desejados. Depois eles paravam de trabalhar.
  Observe a descrio da imagem a seguir.
<P>
<R+>
 _`[Um grupo de indgenas: homens, mulheres e crianas, conduzidos, amarrados, por homens armados_`]
<R->

O que diz a imagem

<R+>
<F->
1- Essa descrio da imagem  a reproduo de uma gravura produzida por Jean Baptiste Debret entre os anos de 1816 e 1831. O que ela est retratando?
2- Por que e para que voc acha que os portugueses tomaram essa atitude?
<F+>
<R->

  Os colonos comearam, ento, a aprisionar os indgenas e a escraviz-los, obrigando-os a trabalhar nas plantaes de cana e nos engenhos. Os indgenas
revoltavam-se com essa situao e eram castigados. Alguns deles conseguiam fugir para o interior do territrio, a fim de escapar da escravido; outros eram
mortos durante a fuga.

<R+>
<F->
 Compare como era o relacionamento entre portugueses e indgenas em 1500 e como se tornou essa relao cerca de 30 anos depois. Identifique as transformaes ocorridas e comente com os colegas.
 O que voc entende por trabalho escravo?

Minhas idias, nossas idias

1- Ao chegar aqui, os portugueses tomaram posse da terra e, alm disso, passaram a se considerar os donos dos seus habitantes, escravizando-os. Qual  a sua opinio sobre essa atitude dos portugueses? Comente.
<F+>
<R->

<44>
  O sistema de capitanias hereditrias no teve sucesso. A maioria delas fracassou por diferentes motivos, como os ataques dos indgenas e o
desinteresse de alguns donatrios, que nem chegaram a tomar posse da terra que receberam. As capitanias de So Vicente e Pernambuco foram as nicas
que prosperaram, isto , que se desenvolveram.
  Essa situao levou o rei de Portugal a criar, em 1548, um governo-geral na Colnia. Dessa forma, daria continuidade ao processo de colonizao e
garantiria a posse da terra.
  Assim, em 1549, o rei enviou para c o primeiro governador-geral, Tom de Souza, que desembarcou na Bahia no dia 29 de maro. Com ele, vieram
cerca de mil pessoas, entre elas, soldados, carpinteiros, pedreiros e tambm alguns padres jesutas para catequizar os indgenas.
  Logo que chegou, Tom de Souza fundou a cidade de Salvador, que se tornou a sede do governo-
 -geral e a primeira capital da Colnia.
  Nessa poca, a cana-de-acar tinha se tornado o principal produto cultivado na Colnia. Essa cultura foi muito importante para o desenvolvimento do territrio e por causa dela foram criadas diversas vilas, que ficavam
localizadas, principalmente, no litoral. Vrias dessas vilas cresceram e se tornaram cidades que existem at hoje. Entre essas cidades, esto Olinda,
localizada no atual estado de Pernambuco, Ilhus, no atual estado da Bahia, e Santos, no atual estado de So Paulo.

<R+>
<F->
 De que forma os indgenas reagiram  colonizao e  diviso do territrio em capitanias hereditrias?
 Cite alguns dos motivos que levaram o rei de Portugal a criar na Colnia o governo-geral, no ano de 1549.
<F+>
<R->

<45>
Passeando pela histria

A luta dos povos indgenas

  Desde a chegada dos europeus em nosso territrio, os povos indgenas vm lutando pelo reconhecimento de seus direitos.
  Eles tiveram que lutar, por exemplo, por suas terras que foram invadidas por portugueses e tambm pela liberdade, quando foram escravizados.
  Hoje, os direitos dos povos indgenas foram reconhecidos e esto registrados na Constituio Federal.
  Apesar disso, muitas pessoas insistem em no respeitar os direitos desses povos.
  Um dos problemas que muitos indgenas continuam enfrentando atualmente  a invaso de suas terras. Os principais invasores so proprietrios de madeireiras que desmatam as reas indgenas para comercializar a madeira que  retirada, e tambm as mineradoras e garimpeiros  procura de ouro.
  Devido a isso, cada vez mais os povos indgenas vm se organizando e lutando para defender as terras que lhes restaram, para preservar sua cultura e para que todos os seus direitos que esto registra-
<P>
 dos na Constituio sejam respeitados.

<R+>
<F->
_`[Foto mostrando indgenas de calo e cocar, segurando uma faixa onde se l: "Povos indgenas de Mato Grosso 500 anos de resistncia"_`]
Legenda: Essa fotografia retrata representantes de alguns povos indgenas manifestando seu protesto em uma conferncia, na cidade de Porto Seguro, estado da Bahia, no ano 2000.
  Hoje em dia, as manifestaes pblicas tornaram-se um importante meio utilizado pelos indgenas na luta por seus direitos.
<F+>
<R->

<46>
A influncia indgena na cultura
  brasileira

  Os vrios povos indgenas que habitavam originalmente nosso territrio tinham bastante conhecimento da natureza. Eles conheciam as plantas que
serviam como alimento e como remdio, sabiam caar, pescar e evitar os perigos nas matas.
  Desde sua chegada, os portugueses utilizaram os conhecimentos dos indgenas para sobreviver em nosso territrio. Dessa forma, muito do modo
de vida dos indgenas passou a fazer parte do cotidiano dos portugueses e chegou at os nossos dias.
  Veja alguns exemplos da influncia indgena em nosso cotidiano.

<R+>
<F->
O costume de tomar banho diariamente.
O hbito de dormir e de repousar em redes.
O consumo de vrios alimentos, como o milho, a mandioca, a abbora e o amendoim.
<F+>

<47>
Atividades

1- Nossa lngua tambm recebeu grande influncia dos povos indgenas. Existem, na lngua portuguesa, por exemplo, muitas palavras que so de origem tupi. Junte as slabas que esto no quadro e encontre algumas dessas palavras. Depois, escreva-as.

<F->
pccccccccccccccccccccccccccccccc
l ca-ta-po-ra    _  pa-j        _ 
l gua-ra-n      _  si-ri        _
l pe-ro-ba       _  ju-ru-be-ba  _
l ma-ra-ca-n    _  ca-pi-va-ra  _
l gam-b         _  bi-ju        _
v----------------#---------------# 
<F+>

2- Apresentamos, a seguir, as definies de algumas palavras de origem tupi presentes em nosso cotidiano. Leia-as e tente descobrir a quais palavras da nossa lngua elas se referem.
<R->

_`[{nos itens *a* e *d* o smbolo 
  (12456) representa a letra *i*
  com trema; no item *b* o smbolo
   (12456) representa a letra
  *n* com til_`]

 a) [Do tupi p'poka]
  Gro de milho estourado ao calor do fogo e que se come salgado ou adoado.
 b) [Do tupi pamu']
  Alimento preparado com milho verde ralado ou triturado, temperado com acar ou sal, cozido e enrolado na palha do prprio milho.
 c) [Do tupi capi'i]
  Nome dado a vrias espcies comuns de gramneas.
 d) [Do tupi apot'kaba]
  Nome dado a uma pequena fruta, de forma arredondada, miolo claro e casca de cor escura.
 e) [Do tupi suku'ri]
  Espcie de cobra que chega a medir 10 metros de comprimento. Trata-se de uma espcie no venenosa que vive na gua, em rios e lagoas. Alimenta-se de peixes, aves e mamferos e os engole aps triturar-lhes os ossos.
<48>
<P>
Mais atividades

Pesquisa

  Atualmente, no Brasil, existem cerca de 350 mil indgenas vivendo em aldeias espalhadas por quase todos os estados brasileiros.
  O municpio ou estado onde voc vive  habitado por algum povo indgena?
  Faa uma pesquisa para descobrir se h e qual  o nome dos povos indgenas que vivem no municpio ou estado onde voc mora. Procure saber como  o modo de vida desses povos, como se vestem e se alimentam, se costumam realizar festas etc.
  Voc pode ilustrar seu trabalho com fotografias ou com ilustraes.
  Depois de pronto, mostre seu trabalho para os colegas e veja o que eles fizeram.
<P>
<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

Mos  obra

  Junte-se a um colega e elaborem um texto contando, de forma resumida,
como foi a chegada dos portugueses ao territrio que hoje corresponde ao Brasil.
  Veja a seguir algumas informaes que vocs podem incluir no texto:
<R+>
<F->
-- data e local da chegada dos portugueses;
-- meios de transporte utilizados;
-- objetivo da viagem;
-- principais acontecimentos aps a chegada dos portugueses.
<F+>
<R->
  Depois de pronto, leiam para os colegas o texto que vocs escreveram.

               oooooooooooo
<49>
<P>
Unidade 3

Africanos em nosso territrio

  Observe a reproduo da capa de um livro apresentada a seguir.

<R+>
<F->
_`[Um menino, sentado numa poltrona, rodeado por escravas. Acima e abaixo da figura; est escrito:
  Coleo Memria e Histria
  A Histria dos Escravos
  Isabel Lustosa
  Ilustraes de Maria Eugnia
  Companhia das Letrinhas_`]

Reproduo da capa do livro *A histria dos escravos*, de Isabel Lustosa. So Paulo, Companhia das Letrinhas, 1998.

 Qual  o ttulo do livro cuja capa aparece reproduzida acima?
<P>
 Na sua opinio, quais povos so apresentados como escravos nesse livro?
 Voc j ouviu falar sobre a escravido desses povos em nosso territrio? O que voc sabe sobre isso?
<F+>
<R->

<50>
Os descendentes de africanos no
  Brasil atual

  Atualmente, cerca de 45% da populao brasileira  constituda por descendentes de africanos.
  Observe a descrio da fotografia a seguir.

<R+>
<F->
_`[Um aglomerado de pessoas de diferentes descendncias sendo a maioria de origem africana_`]
Legenda: Essa fotografia retrata pessoas desembarcando na estao de trens Central do Brasil, no Rio de Janeiro, em 1999.
<P>
O que diz a imagem

1- Qual  a principal descendncia da maioria das pessoas re-
  tratadas na fotografia descrita na pgina anterior?
<F+>
<R->

  A populao do Brasil foi formada por trs grupos principais: o indgena, o africano e o europeu, principalmente os portugueses.
  Nas prximas pginas, voc vai conhecer um pouco da histria dos povos africanos e vai saber quando e como eles comearam a ser trazidos para o nosso territrio.

<51>
Em busca de mo-de-obra

  Por volta de 1550, a produo de acar em nosso territrio estava crescendo e havia a necessidade cada vez maior de gente para trabalhar.
  Os produtores de acar comearam ento a trazer africanos para
<P>
 trabalhar nos engenhos e nas plantaes de cana.

<R+>
 Na sua opinio, esses africanos eram utilizados nos engenhos como trabalhadores livres e remunerados ou como trabalhadores escravos?
<R->

  Os africanos trazidos para c eram aprisionados na frica e vendidos aos
portugueses por comerciantes africanos.
  A descrio da imagem a seguir representa o aprisionamento de africanos para serem
escravizados. Observe-a.

<R+>
_`[Um grupo de africanos: homens, mulheres e crianas, amarrados, caminham em fila, vigiados por homens armados_`]
<R->

O que diz a imagem

<R+>
<F->
1- De acordo com a descrio da imagem, quais tipos de pessoas eram aprisionadas?
<P>
Somente homens 
Homens e mulheres
Homens, mulheres e crianas

2- Observe os homens que aparecem armados na descrio da imagem. Na sua opinio, quem eram eles?
3- Os homens que aparecem armados tambm eram africanos. Por que voc acha que eles aprisionavam outros africanos para serem escravizados?
<F+>
<R->

<52>
  O trfico de africanos tornou-se um negcio muito lucrativo para os portugueses.
  Os comerciantes portugueses iam at a frica e trocavam produtos, como
armas de fogo, tecidos, acar e sal, por escravos africanos. Depois, traziam
muitos desses escravos para o nosso territrio e vendiam-nos para os donos de
engenhos por preos bem elevados.
  O governo portugus tambm lucrava muito com o trfico de africanos,
pois cobrava impostos sobre cada pessoa que era trazida da frica para c.

<R+>
<F->
 Por que os africanos foram trazidos para o nosso territrio para trabalhar como escravos?
 Que prejuzos voc acha que os africanos tiveram ao serem escravizados? Comente com os colegas.
<F+>
<R->

 bom saber

  A escravido africana comeava na prpria frica, onde havia disputas entre os diferentes povos que l existiam. Nessas disputas, as pessoas que perdiam eram aprisionadas e transformadas em escravas. Muitos dos africanos escravizados eram trocados por mercadorias com os comerciantes europeus.
  Depois de aprisionados, esses africanos eram levados para grandes barraces que ficavam prximos aos portos na frica, onde aguardavam at o momento de serem embarcados para outras terras, entre elas, a que hoje corresponde ao Brasil.
  Os africanos no aceitavam de forma passiva essa situao de escravizao. Muitos grupos africanos procuravam resistir ao trfico e, com isso, era muito comum acontecer revoltas durante o percurso das caravanas at os lugares de embarque.

<53>
A vida longe da frica

  Os africanos eram trazidos para o nosso territrio em navios chamados de tumbeiros, e a viagem podia durar de 30 a 60 dias. Para transportar o
maior nmero possvel de escravos, os traficantes buscavam aproveitar ao mximo o espao nos pores dos navios.

<R+>
<F->
 Na sua opinio, por que esses navios eram chamados de tumbeiros?
<F+>
<R->
<P>
  A descrio da imagem abaixo representa como os escravos viajavam no poro de um navio.
<R+>
<F->

_`[Escravos seminus amontoados no cho do poro escuro de um navio. Por falta de espao, alguns permanecem de p enquanto outros esto sentados e poucos deitados. Um homem morto  carregado enquanto outro, doente observa_`]
Legenda: A imagem acima, produzida pelo pintor alemo Johann Moritz Rugendas, por volta de 1835, representa as condies em que os escravos eram transportados nos pores dos navios.

<F+>
<R->
O que diz a imagem

<R+>
<F->
1- O que mais lhe chamou a ateno na descrio dessa imagem?
2- Verifique, na descrio da imagem acima, as condies em que os africanos eram transportados nos navios. Para isso, observe:
-- se o espao era adequado para a quantidade de pessoas;
-- como eles descansavam;
-- como se vestiam;
-- como era a iluminao do local.
<F+>
<R->

<54>
  Alm da falta de espao nos pores dos tumbeiros, os africanos sofriam com a sujeira, a falta de ventilao, os maus-tratos e tambm com a pssima
alimentao que recebiam.
  As condies eram to ruins que muitos escravos no suportavam e morriam durante a viagem.

 bom saber

  Leia a seguir o trecho de um depoimento de um ex-escravo africano
chamado Mahommah Gardo Baquaqua. Nesse depoimento, ele fala sobre
as condies de viagem no poro do navio que o trouxe da frica at o
atual estado de Pernambuco.
<P>
  [...] Fomos arremessados, nus, poro adentro, os homens apinhados
de um lado e as mulheres de outro. O poro era to baixo que no
podamos ficar em p, ramos obrigados a nos agachar ou a sentar no
cho. Noite e dia eram iguais para ns, o sono nos sendo negado devido
ao confinamento de nossos corpos. Ficamos desesperados com o sofrimento
e a fadiga. [...]

<R+>
<F->
In: *Revista Brasileira de Histria*, n.o 16. So Paulo, Marco Zero, 1989.

 De acordo com Baquaqua, como se sentiam os africanos que eram transportados nos pores dos navios? 
<F+>
<R->

<55>
  Os africanos que foram trazidos para c como escravos faziam parte de dois grupos principais: os *bantos* e os *sudaneses*. Em sua terra, os bantos
desenvolviam a agricultura e a pecuria. J os sudaneses, alm de praticar essas atividades, trabalhavam com tecelagem e com metais, principalmente o ouro e o bronze.
  Os principais portos de desembarque desses escravos em nosso territrio foram o de Salvador, o de Recife e o do Rio de Janeiro.
  Observe o mapa a seguir. Ele mostra a distribuio dos bantos e dos sudaneses no territrio africano, e tambm os principais lugares para onde eles eram trazidos.

<R+>
<F->
O trfico negreiro no sculo XVII

_`[Em destaque, aparece: rea de origem dos Bantos (no continente africano) -- So Paulo de Luanda e Moambique. Desembarque no Brasil -- Rio de Janeiro e Recife. rea de origem dos Sudaneses (no continente africano) -- Costa do
<P>
  Marfim e Lagos. Desembarque no Brasil -- Salvador_`]

Jos Jobson de A. Arruda. *Atlas Histrico Bsico*. So Paulo, tica, 1995.

O que diz a imagem

1- Quais foram as principais cidades de desembarque dos bantos?
2- Em qual cidade, geralmente, eram desembarcados os sudaneses?
<F+>
<R->

<56>
 bom saber

  Como vimos, os principais grupos africanos trazidos para as terras que hoje correspondem ao Brasil foram os bantos e os sudaneses.
  Esses grupos eram formados por diferentes povos. Entre os bantos, estavam os angolas, benguelas e monjolos. Entre os sudaneses, estavam
os iorubas, jejes e minas. Cada um desses povos tinha sua prpria lngua, seu modo de vida, seus costumes e tradies.
  As descries de imagens apresentadas abaixo, feitas pelo pintor alemo Johann Moritz Ru-
 gendas no perodo em que esteve em nosso territrio pela
primeira vez, entre os anos de 1821 e 1825, do uma idia da diversi-
 dade de povos africanos que foram trazidos para c.

<R+>
 _`[Homens e mulheres africanos apresentando caractersticas fsicas bastante diversificadas e sua descendncia: Mina -- Quiloa -- Congo -- Moambique -- Croles -- Angola -- Rebolla -- Benguela -- Monjolo_`]
<R->

<57>
  Muitos dos africanos que sobreviviam  viagem nos navios chegavam aqui
em pssimas condies de sade, magros e com feridas por todo o corpo. Eles
eram levados para armazns, onde eram expostos para ser vendidos, como se
fossem mercadorias. Os compradores examinavam cuidadosamente os escravos,
procurando encontrar os mais fortes e saudveis.

<R+>
<F->
_`[Reproduo de uma pintura mostrando escravos seminus amontoados no cho, de p, aparecem alguns compradores bem vestidos e usando chapus_`]
Legenda: Nessa pintura, o artista Johann Moritz Rugendas representou um mercado de escravos. Para esses lugares, eram levados homens, mulheres e crianas para serem escolhidos pelos compradores.
<F+>
<R->

O que diz a imagem

<R+>
<F->
1- Identifique na imagem acima um comprador de escravos e comente como voc chegou a essa concluso.
<F+>
<R->

Minhas idias, nossas idias

  O texto a seguir  a reproduo de um anncio classificado de um jornal
que circulava no Rio de Janeiro, no ano de 1830. Leia-o.

  Costa & Ottani fazem um leilo hoje na Rua do *Ourives*
n.o 192, esquina da Rua do Sabo, de uma poro de escravos
novos e ladinos, obras em prata, diamantes, e baixela, e uma
poro de mercadorias de diferentes quali-
 dades, tudo em nome de seus donos.

<R+>
<F->
*Correio Mercantil*, 13/09/1830. In: Mary C. Karasch. *A vida dos escravos no Rio de Janeiro (1808-1850)*. So Paulo, Companhia das Letras, 2000.

1- De acordo com o que est sendo anunciado, voc conclui que o escravo era considerado uma mercadoria de grande ou pequeno valor para o seu dono?
<P>
2- Qual  a sua opinio sobre o fato de pessoas serem vendidas como se fossem mercadorias? Converse com os colegas.
<F+>
<R->

<58>
Os africanos chegam para
  trabalhar

  A maioria dos africanos trazidos como escravos para o nosso territrio
destinava-se ao trabalho nos engenhos.
  Depois de comprados nos mercados de escravos pelos colonos portugueses,
muitos africanos eram levados para os engenhos onde passavam a viver.
  Leia o texto a seguir. Ele fala sobre como eram organizados os engenhos.

  O *engenho* era muito mais que a fbrica de acar com suas
mquinas e outros equipamentos. [...]
  Do engenho faziam parte a *casa-grande*, a residncia do senhor,
a *capela*, onde o padre rezava missas para os moradores, a *senzala*,
cabanas feitas de barro e cobertas com palha, onde moravam os
escravos, a *casa de engenho*, onde se moa a cana e fabricava o
acar e, ao redor, os *campos* onde se plantava a cana e as *matas*
onde se colhia a lenha. [...]

<R+>
<F->
Avanete Pereira Sousa. Salvador, *capital da Colnia*. So Paulo, Atual, 1995.

<59>
_`[Ilustrao mostrando um engenho e, destacados por nmeros, os elementos que o compem: 
  1) Uma casa grande e confortvel; 
  2) Uma capela; 
  3) Moradia dos escravos; 
  4) Local onde os escravos trabalhavam na moagem da cana; 
  5) Campos de plantao de cana; 
  6) Matas para a extrao da madeira_`]

 Nessa ilustrao, aparecem destacados por nmeros os elementos que faziam parte de um engenho. Identifique cada um desses elementos e relacione-os a uma das letras destacadas a seguir.
A -- campos
B -- senzala
C -- matas
D -- capela
E -- casa de engenho
F -- casa grande
<F+>
<R->

<60>
  Nos engenhos, a vida dos escravos era muito difcil. Eles dormiam, geralmente, acorrentados na senzala e recebiam somente a co-
 mida necessria para
sobreviver. Na maioria das vezes, a alimentao consistia apenas em farinha de mandioca, feijo e abbora.
  A jornada de trabalho comeava muito cedo e durava, em mdia, 15 horas por dia. A maioria das atividades realizadas nos engenhos eram feitas pelos
escravos, desde a derrubada da mata, o plantio e a colheita da cana, a limpeza dos canaviais, at o transporte e a moagem da cana.
  Os escravos mais antigos, isto , que trabalhavam no engenho h mais tempo, cuidavam das atividades relacionadas  produo do acar. Os mais
novos ficavam encarregados do plantio, do corte e do transporte da cana.

  Enquanto trabalhavam, os escravos eram fiscalizados pelo feitor, que era uma pessoa de confiana do senhor-de-engenho encarregada de organizar e
controlar todo o trabalho.

<R+>
<F->
_`[Reproduo de um desenho, mostrando escravos, num engenho de acar, trabalhando, vigiados
  pelo feitor: um homem branco, bem vestido e de chapu_`]
Legenda: Essa imagem, produzida pelo artista alemo Georg Marcgraf quando esteve no Brasil, entre os anos de 1638 e 1643, retrata o cozimento do caldo da cana para a produo do acar e a fiscalizao do trabalho do escravo.

 Identifique, nessa imagem, quem  a pessoa que fiscalizava o trabalho nos engenhos e comente algumas caractersticas que o ajudaram nessa identificao.
<F+>
<R->

<61>
  Quando desobedeciam s ordens do feitor ou fugiam e eram capturados, os escravos sofriam castigos corporais, que podiam at causar a morte. Observe as gravuras de Debret apresentadas a seguir.

<R+>
<F->
A --
_`[Um escravo, cado no cho, com as pernas e os braos amarrados, enquanto o feitor bate nas suas costas com a chibata; perto dali, um escravo, amarrado a uma rvore,  aoitado_`]
Legenda: Os feitores aplicavam os castigos mais terrveis, como
<P>
  bater nos escravos com *chi-
  bata*.

B --
_`[Um escravo, amarrado em um tronco numa praa pblica,  chicoteado por outro negro, enquanto outros escravos param para olhar_`]
Legenda: A maioria dos castigos era aplicada em pblico, para que os outros escravos no tentassem agir da mesma forma que a pessoa castigada.

C -- 
_`[Escravos, alguns deitados, outros sentados no cho, com os ps presos a um tronco. Perto deles, passam dois ratos_`]
Legenda: Alguns engenhos tinham as chamadas "casas-de-tronco", onde os escravos eram castigados e obrigados a ficar presos a um tronco pelos ps.
<P>
O que dizem as imagens

1- O que essas gravuras esto representando?
2- Observe a cena que est sendo representada ao fundo na gravura A. O que est sendo representado?
3- Na gravura B, que pessoa aparece castigando o escravo que est amarrado? Por que voc acha que isso acontecia?
<F+>
<R->
<62>

 bom saber

  Alm dos escravos que trabalhavam nas plantaes de cana e na produo do acar, havia tambm os escravos domsticos, que trabalhavam
na casa do seu senhor.
  Esses escravos eram responsveis por todos os servios da casa, como lavar, passar, cozinhar e tambm por tomar conta dos filhos dos senhores.
<P>
Atividades

<R+>
<F->
1- O relato a seguir foi dado por um padre jesuta italiano chamado Andr Joo Antonil, que veio para o nosso territrio no ano de 1686. Leia-o.
<F+>
<R->

  [...] "Os escravos so os ps e as mos do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil no 
possvel conservar e aumentar fazendas, nem ter engenho corrente." [...]

<F->
<R+>
In: Jlio Quevedo e Marlene Ordoez. *A escravido no Brasil: trabalho e resistncia*. So Paulo, FTD, 1996.
<R->
<F+>

  Copie, entre as frases seguintes, aquela que indica o que o autor do relato na pgina anterior quis dizer ao fazer essa afirmao.
<P>
<R+>
<F->
a) Os escravos vieram para o Brasil em busca de trabalho na produo do acar.
b) O trfico de escravos no trouxe nenhuma vantagem para os senhores de engenho.
c) Os escravos eram a principal mo-de-obra nos engenhos, pois a maioria do trabalho na produo do acar era feita por eles.
d) Os senhores de engenho pagavam aos escravos pelo trabalho realizado e davam-lhes parte do lucro que tinham com a venda do acar.
<F+>
<R->
<63>

Passeando pela Histria

A luta dos africanos e de seus
  descendentes

  Assim como aconteceu com os povos indgenas, os povos africanos trazidos para o nosso territrio nunca aceitaram a escravido. Eles sempre
reagiram s humilhaes e lutaram pela liberdade.
<P>
  Eles resistiam de vrias formas, por exemplo, desobedecendo s ordens dos feitores, quebrando as ferramentas de trabalho, incendiando os canaviais. Uma outra importante forma de luta contra a escravido era a fuga. Muitos
dos escravos que fugiam conseguiam se reunir e formar quilombos, que eram povoaes estabelecidas em lugares escondidos nas matas.
  A maioria dos quilombos foi destruda por tropas enviadas pelos governantes e pelos senhores, que temiam o aumento do nmero de escravos fugitivos.
  O maior e mais importante quilombo que existiu em nosso territrio foi Palmares, que ficava localizado entre os atuais estados de Alagoas e
Pernambuco. Palmares resistiu durante quase cem anos e chegou a abrigar cerca de 20 mil pessoas.

<R+>
<F->
_`[Reproduo de uma pintura mostrando um homem negro e forte, de porte altivo e fisionomia valente_`]
Legenda: Zumbi foi o lder do Quilombo dos Palmares e tornou-se o maior smbolo da luta dos africanos e de seus descendentes por seus direitos. Ele foi morto em 20 de novembro de 1695.
  A imagem ao lado, feita pelo artista brasileiro Antnio Parreiras h cerca de cem anos,  uma representao de Zumbi.

1- Observe a imagem que representa o lder Zumbi. A preocupao do autor foi retratar Zumbi como um escravo ou como um guerreiro?
<F+>
<R->

  Ainda hoje, em diversas regies do Brasil, existem descendentes de
africanos vivendo em povoados que foram formados em lugares onde havia
antigos quilombos.  o caso da comunidade Kalunga, localizada no estado de Gois.
<64>
<P>
  Apesar da resistncia dos grupos escravizados, a escravido em nosso territrio durou mais de 300 anos, e s foi abolida em 13 de maio de 1888.
  Desde ento, os descendentes de africanos vm lutando contra a discriminao e em favor da igualdade de oportunidades. Eles obtiveram muitas
conquistas, como a lei aprovada na Constituio Federal de 1988, que considera o racismo crime.
  Atualmente, os descendentes de africanos esto se organizando cada vez mais em defesa de seus direitos, e para que sejam respeitados no pas que
ajudaram a construir.
  Apesar de a Abolio da Escravatura ser comemorada no dia 13 de maio, no Brasil, muitos descendentes de africanos do mais importncia ao dia 20 de novembro, que  o Dia Nacional da Conscincia Negra. Essa data foi escolhida em homenagem a Zumbi, smbolo da resistncia negra ao escravismo e da luta pela liberdade.

<R+>
<F->
2- Converse com os colegas e d a sua opinio sobre qual deve ser o papel de cada pessoa para acabar com o racismo e a discriminao contra os descendentes de africanos.
3- Voc j tinha ouvido falar do Dia Nacional da Conscincia Negra? O que voc sabia sobre essa comemorao? 
<F+>
<R->

<65>
A influncia africana

  Os africanos escravizados e seus descendentes, apesar de viverem oprimidos,
procuravam conservar costumes e tradies que faziam parte de seu modo de
vida na frica, como rituais religiosos, cantos e danas.
  Devido  convivncia com os africanos, muitos desses costumes e tradies
foram assimilados pelos europeus e indgenas que aqui viviam e pelos seus
descendentes. Dessa forma, a influncia afri-
 cana chegou at os nossos dias e
est presente em nosso cotidiano.
  Nossa lngua, por exemplo, possui um grande nmero de palavras africanas. Em nossa culinria tambm existem vrias comidas de origem africana, como
o vatap e o acaraj. Graas  contribuio dos africanos e seus descendentes,
nossa msica apresenta uma grande variedade de ritmos.
  Observe alguns exemplos da influncia africana no Brasil.
  Um dos principais alimentos dos escravos era o feijo. Para torn-lo mais nutritivo e saboroso, os escravos acrescentavam a ele as carnes que eram rejeitadas pelos senhores, como ps e orelhas de porco. Esse prato ficou conhecido como feijoada e se tornou um dos smbolos da culinria brasileira.
  A msica popular brasileira  uma das mais ricas e variadas do mundo. A influncia africana est presente na grande diversidade de ritmos, como o samba, o baio, o frevo e o maracatu. 

<66>
<R+>
<F->
_`[Foto de um grupo de homens praticando a capoeira_`]
Legenda: A capoeira era prati-
  cada pelos escravos de origem africana nas senzalas como uma dana e um divertimento, e tambm como uma luta, tornando-se uma importante forma de resistncia contra a escravido. 
  Atualmente, milhares de pessoas em todo o Brasil praticam a capoeira como uma arte e um esporte. Alm de contribuir para a sade do corpo e da mente, ela ajuda a desenvolver em seus praticantes alguns valores, como o respeito e a solidariedade. 
  A fotografia acima retrata uma roda de capoeira, na cidade de Salvador, estado da Bahia, no ano 2000.
<P>
Atividades

1- Apresentamos no quadro abaixo algumas palavras de origem africana. Cada uma delas est relacionada a um dos itens a seguir. Copie as palavras, separando-as de acordo com esses itens.
a) Culinria
b) Instrumentos musicais 
c) Ritmos musicais

samba -- ganz -- angu -- berimbau -- vatap -- canjica -- acaraj -- bong -- maracatu -- agog
<F+>
<R->
<67>

Mais atividades

 Pesquisa

  Os escravos africanos sofriam muito com a vida que levavam nos engenhos e procuravam formas de resistir  escravido.
  A palavra banzo est relacionada a uma dessas formas de resistncia. Pesquise o significado dessa palavra e mostre
o resultado para os colegas.

Entrevista

  Agora, voc vai fazer uma entrevista sobre a ocorrncia de racismo no
Brasil. Para isso, converse com um familiar ou um outro adulto conhecido.
  Veja o roteiro de sua entre-
 vista.

<R+>
<F->
Nome do entrevistado:
Idade:
Data da entrevista:

1- O que voc entende por preconceito racial?
2- Voc acha que existe preconceito racial no Brasil? Por qu?
3- Voc j presenciou uma situao em que houve discriminao racial contra algum? Como foi a situao e o que voc sentiu?
<F+>
<R->
<P>
  Traga a sua entrevista para a sala de aula e mostre-a para os colegas. Em seguida, troquem idias sobre as opinies dos entrevistados e
conversem sobre as situaes de discriminao racial que foram citadas.
  Finalmente, reflitam sobre qual deveria ter sido a atitude de cada uma das pessoas envolvidas.

               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Primeira Parte